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… pode ser muito barato e muito agradável,ora veja-se este apartamento de uns amigos meus, belissimamente decorado, como só o Venus as a Boy e su muchacho sabem:

E fica na Rua dos Caldeireiros, em plena Zona Histórica da cidade.

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Comecei a ler o Germinal do Zola agorinha (só agora? ai, ai). Espero que me ajude a recarregar a esperança nos homens, que está mesmo a zero.

Se não ajudar, pelo menos leio dois livros bem escritos em um: o do Zola e o do Beldemónio, que traduz lindamente o livro do primeiro, tão bem que parece que o Zola o escreveu em português :).

… tens de subir a montanha, por entre o nevoeiro, que tão depressa cai e te impede de ver os teus companheiros como a seguir desaparece e te deixa ver, de uma assentada, o Pico, o Faial e São Jorge. Passa acima das nuvens, senta-te sob o sol intenso a contemplar a imensidão de branco a teus pés.

Montanha do Pico

Regressa. Depois tens de alugar um carro, ir  às vinhas e ao moinho da Criação Velha e provar o vinho “chlica” directamente no lagar do agricultor; tens de passar ainda  pelo Cachorro, pelo Cabrito e pelo Biscoito. Maravilha-te  por ver crescer vinhas no meio da lava negra, por ver as estranhas formas desta lava junto ao mar e por haver aldeias inteiras de casas iguais às do Minho, mas pretas como carvão, porque feitas de pedra vulcânica.

Vinhas de verdelho, com o Faial ao fundo.


A seguir, não te podes esquecer de ir à clara e colorida Lajes do Pico, comer encharéu grelhado acabado de chegar da lota e uma fatia de um cheesecake divinal no restaurante “Lagoa”. Não percas a Lagoa do Capitão, esperando pacientemente que o nevoeiro passe e que a montanha do Pico se reflicta nas suas águas.

E cuidado: nunca deixes de admirar, por overdose de beleza, o azul das hortênsias a delimitar os campos, as vacas fartas, deitadas como gatos pachorrentos a observar-te ou encavalitadas em inclinações impossíveis enquanto pastam calmamente, e o verde, o verde, o verde, o verde, delineado pelos belos muros de pedra negra.

Pedro Fabião e a Ceguinha

Andei em arrumações de papelada e encontrei o recorte de uma reportagem que guardei do Fugas, muitíssimo bem escrita por Pedro Fabião. É o relato de um mês de férias no nordeste transmontano, tendo como companheira de viagem a burra “Ceguinha”. Depois de muito procurar na net, encontrei-a transcrita  e aqui deixo a hiperligação: http://www.aepga.pt/portal/PT/111/EID/14/DETID/3/default.aspx , para memória futura, pois tenho o projecto de férias é um dia tentar fazer algo semelhante.

Aqui fica um excerto:


“O que é que vende?”, pergunta uma mulher velhíssima, muito seca, de negro, como em toda a Europa ocidental apenas há neste país. Sem conseguir dissimular uma curiosidade transbordante, assiste a algo difícil de arrumar nas prateleiras do seu entendimento. A entrada, na aldeia, de um rapaz acompanhado de uma pequena cadela (uma aquisição imprevista) e de uma burra com duas alforjas bem carregadas, todos com o ar de quem já leva vários quilómetros nas pernas, confunde-a até à inquietação. “Nada, minha senhora. Eu só compro, ou então aceito o que me dão.”, respondo eu. “Ah, anda a pedir, ora anda?”, tenta ela, julgando ter decifrado a visão. “Também não. Ando só a dar um passeio com a burra…”. Quer saber de onde venho; falo-lhe por alto do meu percurso até à data – emite interjeições de admiração, mas o semblante mantém-se desconfiado. A estranheza da minha figura obstrui o entendimento mútuo. Os seus anos, que já viram muito, dizem-lhe que sou inverosímil.

No entanto, nos incontáveis encontros que fui tendo com aqueles com quem me cruzava, o mais comum é que o diálogo prosseguisse com as seguintes dúvidas: donde é que você é?, de quem é a burra?, e o que lhe dá de comer?, agora para onde é que vai?, onde é que dorme?, e não tem medo de andar para aí sozinho?, está a pagar alguma promessa?, é dos que gostam da natureza?, quer comer alguma coisa?, já provou o vinho aqui da terra? (geralmente é nesta altura que a hospitalidade se intensifica e dentro de pouco estou a tirar a barriga de misérias).

Desta vez, uma última tentativa trouxe esta anciã do fundo do campo até mim, para que os seus olhos se aproximassem daquilo que o sentido não podia. Olhou a guitarra e exclamou: “- Ah, é tocador! Anda a correr as romarias a tocar?”. Eu: “É isso mesmo! Ando a correr as romarias a tocar!”. Despedimo-nos, ambos satisfeitos.

Por onde andará este Pedro Fabião? Deixa esses relatadores de viagens  que agora pululam nos jornais com nomes de gente-bem a milhas.

Ah, a Ceguinha pertence à AEPGA – Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino, que proporciona passeios do género. Consultar AQUI.

Triste de quem vive em casa,
Contente com o seu lar,
Sem que um sonho, no erguer de asa,
Faça até mais rubra a brasa
Da lareira a abandonar!

Diz o Fernando Pessoa , eu concordo, claro, sempre pronta a bulir – assim haja companhia e carcanhol.

Ontem fui ao Musée dÒrsay e hoje quando, no Louvre, vi o meu primeiro Sâo Jerònimo desde Agosto, reparei outra vez que, depois da sagrada famìlia e da crucifixaçâo de Cristo, este é dos motivos mais benquistos na pintura. E estou a afeiçoar-me ao senhor. Quando voltar “au Portugal” tenho de saber mais sobre as razöes da popularidade deste santo junto dos pintores.

Outra que ainda näo percebi, foi a popularidade da Monalisa. Säo tantos os “ahs” e “ohs”, tantos os metros que nos separam dela; tantos os guardas que a protegem que, confesso, estava à espera de uma revelaçäo.  Voltei, triste pela minha ignoräncia artìstica, a postar-me diante de “A Virgem e Santa Ana” em absoluto encantamento, para me compensar e pedir desculpas ao Leonardo. Que terà a Monalisa que eu nâo vejo? ( Nota: se alguém me quiser explicar que o faça com gentileza, que a ignoräncia näo è defeito, defeito è näo querer saber, para alèm disso sou uma moçoila sensìvel a crìticas agrestes…)

(Outra nota: os teclados dos computadores franceses säo um bocadisquito diferentes,grrr!!!!)

Minhocal

Fuinhas

Vila Novinha

Forno Telheiro

Vale de Azares

Chão de Ordem

Carnicães

Rio de Mel

Carapito

Peroferreiro

+

Empresa Chupas & Morrão

🙂

Se gostas de caminhar,

E as pernas exercitar,

Junta-te ao Par de Botas, olé, olé,

Ficas com as pernas tortas, olé, olé.

douro_set_09 129Não fiquei com as pernas tortas, mas quase: 21 km no sábado pela linha do Tua  e 16 km no domingo pelos socalcos em vias de vindima. Mas tudo vale a pena quando a beleza da paisagem não é nada pequena.

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(Explicação sobre a qualidade técnica das “fotas”: cruzamento da inépcia do meu indicador direito e da foleirice da minha máquina de cem euros, em segunda mão. No Um Par de Botas há melhores fotógrafos, é só clicar para o comprovar.)

Sernancelhe

Sernancelhe

Azar, vimos primeiro Trancoso, a bela. A arquitectura popular das Beiras está aqui, mas não tanto quanto e como gostaríamos. Por todo o lado, o feio cinzento do cimento tapa as juntas das pedras de granito, às vezes até as cobre, no típico reboco “às três pancadas”. 

Perdoamos aos sernancelhenses, as pessoas de hoje também têm direito a casas a gosto. Mas os autarcas não têm perdão.

Necrópole de S. Gens, Celorico da Beira

Necrópole de S. Gens, Celorico da Beira

O homem megalítico viu a mesma estranha pedra que nós, escolheu por isso este lugar para abrir na rocha as suas sepulturas. Há quanto tempo aqui estará esta pedra, assim? Quantos passaram por ela e a olharam pela primeira vez, como se ela ali tivesse pousado por acaso, há momentos atrás?

Necrópole de S. Gens, Celorico da Beira

Necrópole de S. Gens, Celorico da Beira

Vai uma pessoa ver uma ponte e uma torre medievais e o que nos fica nos olhos é a surpreendente beleza da aldeia vinhateira, vestindo de cores garridas janelas, portas, varandas, paredes zincadas.

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É bem verdade que já tínhamos visto as fotos no blogue do Paulo J. Mendes, mas já as tínhamos esquecido e foi num agradável sobressalto de descoberta que percorremos as ruas da Ucanha.

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As fotos são do JMS.

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A Beira Alta, à beira do Alto Douro, é um segredo bem guardado, digo eu. Sernancelhe, Penedono, Marialva, Almeida, Pinhel, Ucanha e Salzedas: paragens desertas de turistas e cheias de maravilhas da arquitectura popular portuguesa.