Ontem fui a uma manif contra a troika e a austeridade galopante, etc, vocês sabem. Cheguei um bocado atrasada para não ter de pagar portagens e fiquei aflita. Onde estava a manif? Aveiro não é assim tão pequena. Vi uma colega de trabalho e perguntei-lhe se tinha visto uma manif, espantada disse-me que não, sorrindo até (porque seria?). Uns duzentos metros abaixo dei com a manif, minúscula, mais pessoas a olhar para nós do que manifestantes. E não, as pessoas não tinham todas ido para a praia ou coisa que o valha, estavam era todas (às largas centenas) do outro lado da rua a manifestarem a sua necessidade consumista no centro comercial do centro da cidade.

Deprimida, vim para casa, trabalhar e ver no fakebook como iam as coisas nas outras cidades. A lição que tirei foi a seguinte: afinal os portugueses estão satisfeitíssimos com o modo como têm vindo a ser governados nos últimos vinte anos e, mais ainda, nos anos dos socretinos e dos gasparelhos.  Não saíram de casa mas envolveram-se em protestos mais importantes, é só ver o JN a dizer que houve batalha campal num jogo de futebol de juniores B. Os festivais de verão não tiveram falta de apoteosoes e, pelas principais páginas dos jornais, vivemos no melhor dos mundos possíveis, como diria os senhor Panglass. O sr. Portas tem até a lata de pedir aos professores para não fazerem greve, please. Eu aposto que o favor lhe será concedido e nem era preciso pedir. O Público online, desde que se falou em greve de professores aos exames, lembrou-se de ter a coluna do meio cheia de artigos sobre como fazer exames (como é que eu consegui fazer exames aqui há muitos anos sem esta ajuda?), coincidência, aposto.

Isto tudo para dizer, estou farta, se não se querem manifestar democraticamente, nem na rua, nem em abaixo-assinados, nem em greves, e preferem o murro na mesa do café e ir para casa ver o benfica. Força lá. Não contem mais comigo para fazer as vossas lutas.

Anúncios