Citando Alfredo Costa:
«Se os senhores representantes da Nação mais uma vez nos votarem ao olvido, resta-nos a certeza de que os marmeleiros ainda crescem nos pauis. (…) Sou pelas greves, como sou por todos os meios de resistência empregados pelo fraco, pelo oprimido, em defesa dos seus mais legítimos interesses quando extorquidos pelo forte, arvorado em opressor[…]Sempre que um patife tenta ferir a nossa dignidade ou um ladrão nos quer tirar a bolsa, é dever sagrado atirarmo-nos a ele sem olharmos às forças de que dispomos e às consequências da luta.[…]»

Procurava-se dar uma machadada na carcomida árvore real de sete séculos e Costa trazia o que tinha: a sua inteligência modesta, o seu dinheiro – a sua vida por fim. A República, ou melhor o mundo dos Idealistas, em boa verdade, não pode enjeitar este nome embora morresse em fereza. Depende das vicissitudes duma obra o galardão que a posteridade reserva aos precursores . Assassinos ou Guilhermes Tell, os destinos da República lavrarão a Costa e a Buíça o epitáfio definitivo. O qualificativo, porém, depende do bom ou mau êxito global das Instituições que ajudaram a fundar.

Se Aquilino tiver razão, a julgar pelo esquecimento a que estes dois homens de singular coragem e idealismo foram votados (basta tentar encontrar ruas com os seus nomes), confirma-se que a República, enfim, teve nestes 100 anos muito mau êxito. Claro que já todos havíamos dado por isso, mas este aviso de Aquilino confirma-o. Curiosamente, nomes de políticos republicanos é coisa que não falta por essas ruas afora…

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