1. Conheço uma escola que tem cerca de 25 anos. Ao longo destes anos foi-se gastando dinheiro em aquecimento central em todas as salas, em quadros interactivos em muitas delas, em computadores portáteis (uns trinta) que se podem levar para as salas, em quatro projectores de vídeo portáteis, em obras no biblioteca e na secretaria, em adaptar uma sala para comportar aulas de teatro. Há magníficas árvores por todo o lado que, se lhes derem tempo, ainda mais magníficas ficarão.

Ao lado desta escola, existe outra, menos bem equipada. Parece ser um problema. Solução? Deitar abaixo as duas escolas e fazer outra, toda catita, digna de finlândias verdadeiras. Boa ideia, mas… ‘pera lá, não estamos em crise?

2. Se é preciso cortar no que o Estado gasta, porquê cortar nas comparticipações médicas dos idosos, dos esquizofrénicos, dos doentes bipolares? Porquê reduzir as prestações sociais dos que delas mais precisam? Porquê reduzir o acesso ao subsídio de desemprego? Será porque os afectados não têm poder negocial? Será porque se crê que não irão fazer manifes nem greves? Se for, é covardia. Ou será que já se está a aproveitar o pretexto para ir retirando ao Estado responsabilidades sociais, de maneira a que, quando a dita crise acabar, o trabalho sujo esteja feito e a protecção social que hoje existe desapareça? O Estado parece perfilar-se para substituir completamente a preocupação social pela preocupação neoliberal.

3. É preciso votar com cabecinha.

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