Mulheres manifestam-se contra a petrolífera Chevron no Sul da Nigéria

20.08.2010

As mulheres de uma comunidade no Sul da Nigéria estão a bloquear o acesso a uma instalação do gigante norte-americano Chevron para protestar contra as condições de vida na região e para os danos ao Ambiente, revelou hoje um dirigente local.

As mulheres da comunidade de Ugborodo, no estado do Delta, exigem à Chevron o fornecimento de electricidade e protestam contra os impactos no Ambiente, explicou um dos dirigentes de Ugborodo, Thomas Eriyetomi.

“Elas estão a interditar o acesso às instalações e assim nenhuma operação se poderá efectuar”, indicou, acrescentando que “é imoral para a Chevron não fornecer as condições básicas da vida numa comunidade onde vivem e onde fazem dinheiro”.

Os responsáveis da Chevron não quiseram prestar declarações por agora e remetem explicações para um comunicado a divulgar mais tarde.

Eriyetomi não indicou o número de pessoas na manifestação mas afirmou que todas as mulheres da comunidade estão a participar.

No mês passado realizou-se uma manifestação semelhante, para alertar as autoridades para aquilo que foi descrito como um total esquecimento da região. O protesto acabou por conseguir que o governo local prometesse analisar os pedidos. Mas “as reuniões com o governo fracassaram e o protesto foi retomado”, explicou Eriyetomi.

Em 2009, a produção total diária da Chevron na Nigéria foi, em média, de 480 mil barris de petróleo, 345 mil metros cúbicos de gás natural e três mil barris de gás líquido. A Nigéria é o oitavo produtor mundial de petróleo. Depois de anos de violência naquela região, que fez cair a produção, no ano passado a situação ficou normalizada, graças a uma amnistia oferecida aos grupos rebeldes.

Hannah Baage percorre o óleo poluído que afeta Gio Creek, em Kegbara Dere, na Nigéria. O Delta do Níger tem sofrido o equivalente ao derramamento do Exxon Valdez por ano, nos últimos 50 anos, segundo algumas estimativas

Mais sobre os constantes derrames de petróleo no Delta do Níger nas últimas décadas, por exemplo, AQUI (de onde foi igualmente retirada a imagem.

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