Ontem, na RTPN,perto da meia-noite, assisti a uma coisa bastante rara: um debate com representantes de todos (e não só o cds, o ps e o psd) os partidos. Ainda por cima, a parte que apanhei foi a gente da esquerda a bater forte e feio nesses três que deixei entre parêntesis. O assunto era o raio da crise em que os três emparentisados nos deixaram e o Luís Fazenda e o Bruno Dias (este não conhecia, mas já não me esqueço dele) falaram alto e grosso, calando os outros com a maior das facilidades. A do cds, então, foi um gostinho ver a porrada que levou e a tentativa de chutar fifiamente para o lado o peso dos submarinos no défice. Fartei-me de rir e fui para a cama a cantar “trabajadores no más sufrir, la explotación ha que sucumbir”, cheia de esperança no futuro.

Uma das coisas que retive da intervenção do Bruno Dias (PCP), foi que se sairmos desta é sobretudo com o carcanhol que a União Europeia nos vai (continuar) a dar. Ora, a minha dúvida existencial é: como é que a UE ainda nos dá dinheiro??? Se até agora em Portugal quem o apanhou o meteu ao bolso, se todos os dias lemos notícias como esta:

Locomotivas eram iguais às que ainda hoje circulam na Suíça

CP demoliu carruagens na sucata de Manuel Godinho que estavam em bom estado

(…)

A medida não foi pacífica, tendo, na altura, merecido vigorosos protestos do director do Museu Ferroviário Nacional e da Associação Portuguesa dos Amigos dos Caminhos-de-Ferro (APAC). Esta entidade, que constitui uma opinião pública especializada, criticou a companhia ferroviária por não ter feito os mínimos para vender ou salvar carruagens acabadas de sair das oficinas. Neste processo de manutenção, uma revisão de meia vida que “custou milhares de contos”, as carruagens foram modernizadas com estofos novos e outros equipamentos. (…)

As carruagens demolidas representavam dez por cento da frota da CP, que na altura nunca respondeu às perguntas do PÚBLICO sobre o processo de desafectação de material circulante. Nove anos depois – e já após a descoberta das ligações do empresário de Aveiro Manuel Godinho a algumas áreas operativas da CP e da Refer – a mesma empresa não respondeu também às perguntas do PÚBLICO sobre este assunto.

(…)

Comenta-se, ironicamente [em fóruns da net], que a Confederação Helvética, um país pobre e subdesenvolvido, mantém ao serviço material circulante que os novos-ricos portugueses resolveram mandar para o sucateiro. Algumas das carruagens saíram directamente do serviço de passageiros para a demolição. Fotografias das Schindler na Suíça circulam na web, mostrando carruagens reabilitadas de aspecto confortável e design moderno.

etc, etc, no Público online, de hoje

E aquela de o Estado ter de indemnizar o concelho de Santo Tirso nuns bons milhões, porque, quando os deputados da Assembleia da República  criaram o concelho da Trofa, não respeitaram a lei, visto estarem com pressa eleitoralista?  (Então, não é para fazerem leis que eu lhes pago? Não as sabem ou não as querem fazer de acordo com as regras? Deveriam era ser financeiramente responsabilizados por esta negligência! Nota: nesta fotografia a esquerda ficou bem mal, já que alinhou com os três tristes partidos que nos têm governado nas últimas dezenas de anos . )

Começo a achar que o melhor, enfim, era ninguém nos dar dinheiro e  deixarem esta porra de país afundar-se, até os cidadãos com idade para votar perceberem bem as consequências dos seus actos, porque isto, em última análise, é culpa de quem vota como vota e depois se alheia de fiscalizar o exercício do poder que conferiu.

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