Tendo-me muito aborrecido de saber do Sócrates, do Alegre, do Jardim e dos tristes que nós somos, recrudesceu em mim, suavemente, a vontade da horta e de arranjar tempo para ela. Assim, há uma semana contratei uma professora de primeira água (a dona D.) para me ensinar a fazer a manta. Já tinha tido várias outras lições teóricas e teórico-prático-aceleradas, com outros especialistas, mas foi esta a melhor lição. Claro que a minha manta não ficou tão catita como a da dona D. e muito menos como outras por que passo diariamente, mas as ervas daninhas ficam sob a terra, ou seja, sob a manta, pelo que em termos práticos é uma boa manta.

No dia seguinte, na praça (equivalente a feira pequena) de Albergaria-a-velha, impingiram-me três centos de cebolo: olhe que só tenho estes três molhinhos, e faço-lhe 5 euros 3, mas só tenho uma tirinha, então planta com menos distãncia e depois vai tirando pó esturgido, mas só quero dois, e leve lá os três, mas não preciso, e não se vai arrepender, mas…, e… Ganhou a senhora e trouxe os três molhinhos. Nesse dia, plantei num dos talhões a maioria. Parece que fiz mal, que a lua não era a melhor e tal e coisa, mas eu tinha de plantar qualquer coisa e quando cheguei à feira já não havia mais nada.  Ficaram lindas!

Depois andei de volta das inúmeras plantas mediterrânicas que adoptei (graças à Teresa) a ver se lhes encontrava cama definitiva. Entre a semana passada e esta já muitas delas a encontraram, ainda me faltam umas quantas, mas tenho um plano para elas: pô-las no caminho público por trás do cabanal – consta que tal caminho afinal é nosso, só tenho de deixar espaço para as pessoas (que nunca passam por lá, porque as não há) passarem e posso encher aquilo do que me apetecer. E tem-me apetecido muito.

Os apetites hortícolas têm sido de tal ordem que hoje peguei nos impermeáveis das caminhadas (calças e casaco com capuz) e, em plena chuva daquela a sério, me pus a plantar o resto do cebolo e  mais umas coivinhas. Para além disso fiz mais uma manta e plantei mais aromático-mediterrânicas. Como prémio de tão grande sacrifício, descobri o meu PRIMEIRO SAPO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!  Quase que lhe dava uma sacholada, sem querer, que ele é da cor da terra! Deve ser um Bufo Bufo.  Chamei o meu cavaleiro andante que o foi pôr junto ao lago. Estou felicíssima porque agora tenho  oficialmente um comedor das lesmas e dos caracóis que me costumam comer as alfaces e as prímulas. Até tive um momento místico, pois disse para comigo que o sapo era a resposta a quase todas as minhas orações. Só não me converti imediatamente a uma qualquer religião porque milagre a sério era ter aparecido um sapo, um ouriço-cacheiro e o Borda D’água 2010 que não sei onde se meteu. Mas pode ser que amanhã…. Bolas, amanhã não é dia de horta :(…

Anúncios