Lá fui eu à missa. Foi muito linda. O altar estava muito bem enfeitado, os sacerdotes inspirados e os cânticos, ai, os cânticos!, elevaram-me a alma ao céu e ajudaram-me a imaginar o paraíso outra vez! Não chorei, Pilantra, porque a esta religião não é dessas, é de saltar e dançar e tapar a vista a quem estiver atrás de mim a ouvir o relato do belenenses-qualquer coisa (não minto!).

Só no recesso do lar é que me pus a pensar em coisas sérias: muitas daquelas músicas têm 40 anos e apetece perguntar porque é que ainda têm de fazer sentido?

Vi-te a trabalhar o dia inteiro
construir as cidades pr’ós outros
carregar pedras, desperdiçar
muita força pra pouco dinheiro
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
Muita força pra pouco dinheiro

Que força é essa
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo [bis]
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo

Não me digas que não me compr’endes
quando os dias se tornam azedos
não me digas que nunca sentiste
uma força a crescer-te nos dedos
e uma raiva a nascer-te nos dentes
Não me digas que não me compr’endes

(Que força…)

(Vi-te a trabalhar…)

Que força é essa
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo?

Sérgio Godinho

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