Graças ao Freecycle, tenho uma bela mobília no quarto de visitas, uma bonita e estilosa poltrona de que a Tita se apoderou e um scanner (este chegou no domingo). E mais, muito mais, poderia ter, se precisasse. Porque há pessoas assim, generosas, que em vez de deitar ao lixo preferem perguntar se alguém quer.

E é este tipo de coisas que me faz ter mais esperança na dita sociedade civil do que nos governos, sobretudo nos nossos, que andam sempre a reboque de sondagens e de interesses mais ou menos alheios à vontade dos governados. Assim, a única revolução que acredito que vai acontecer é aquela que fazemos todos os dias, bocadito a bocadito. E acredito que as  associações culturais, recreativas, humanitárias, ambientais, desportivas até, são meios inestimáveis para ir fazendo esta revolução. Nelas aprende-se na prática o que é a democracia, a liberdade, a tolerância, a consciência crítica. Veja-se o seu papel nas questões dos direitos gay ou nas relacionadas com os problemas ambientais.

Elas são ainda responsáveis por pequenos milagres, levando Cultura de qualidade a sítios absolutamente periféricos, de que o Estado prefere esquecer-se. Penso no Teatro do Montemuro, no Acert-Tondela, mesmo a D’Orfeu (Águeda), por exemplo, mas são muitas mais, pelo país todo.

Sem as associações mais ou menos formais de cidadãos de boa-fé seríamos muito mais pobres – e não estou a falar de dinheiro.

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