Sei que a tentação de virar as costas a esta choldra é fortíssima, mas isso seria entregar aos outros o poder de decidir por mim, e isso não faço.

Sou contra a abstenção, quanto mais não seja pelas habituais profundas interpretações meteorológicas que dela fazem: ah, está sol, as pessoas foram para a praia. Se estiver a chover: ah, as pessoas tiveram medo da chuva, como se a chuva ou sol alguma vez pudessem impedir tanta gente de votar. Não havia sol nem chuva nos primeiros actos eleitorais pós-25/04/74? Se calhar as pessoas tinham guarda-chuva e não tinham fato de banho… Políticos e jornalistas querem atirar-se areia para os olhos, é o que é.

Nas eleições europeias a Europa toda vai para a praia ou tem medo da chuva e ninguém quer saber. Na campanha eleitoral falou-se de UE para dizer que se vai pagar a crise com os carcanhóis que de lá vêm, ou que se perde soberania ou que é bom ter um tuga no cadeirão do poder ou que os deputados ganham x e deviam ganhar y. Mas pouco ou nada foi dito  sobre a da posição dos candidatos perante as políticas que são emanadas da Comissão Europeia. Não ouvi nehum dizer qual o sentido do seu voto quando estiverem alapados no Parlamento Europeu e se falar de transgénicos, de aquecimento global, de emprego, das soluções europeias para a crise, de segurança social, da posição da Europa perante o conflito israelo-pelstiniano, do Tratado de Lisboa, … Claro que posso ter estado distraída, mas ouvi muitos tempos de antena e li públicos e expressos. Se eu acho que se falou pouco de pouca, imagino o que acharão aqueles que se recusam a votar.

Por outro lado, tenho comigo que esta gentinha fica toda contente quando ficamos em casa, é que quem fica em casa está descontente, é imprevisível, sabe-se lá em quem iria votar. Na, tá quedo, é melhor assim.  Imagina que os descontentes resolviam mostrar o seu descontentamento através do voto. Ui, ai. Aí as eleições passariam a ser um jogo de roleta russa, o que poderia acontecer ao PPE e ao PSE? Sei lá, podia ser a fim do mundo em cuecas.

Uma maneira de combater a abstenção seria falar mesmo das coisas que estão em jogo nestas eleições, mas responda-se à questão a quem interessa a abstenção e percebe-se porque combater a abstenção não é uma prioridade.

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