Camões e a tença
Irás ao Paço. Irás pedir que a tença
Seja paga na data combinada
Este país te mata lentamente
País que tu chamaste e não responde
País que tu nomeias e não nasce
Em tua perdição se conjuraram
Calúnias desamor inveja ardente
E sempre os inimigos sobejaram
A quem ousou seu ser inteiramente
E aqueles que invocaste não te viram
Porque estavam curvados e dobrados
Pela paciência cuja mão de cinza
Tinha apagado os olhos no seu rosto
Irás ao Paço irás pacientemente
Pois não te pedem canto mas paciência
Este país te mata lentamente
Sophia de Mello Breyner Andresen
A Maria João Pires escolheu deixar de ser portuguesa. Compreendo-a. O povo que somos não a merece, tal como não merece muitos outros (quase todos) que não tiveram outra opção. Na verdade, temos sorte, há gente demasiado grande em Portugal, apesar de Portugal.

9 comments
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04/07/2009 às 00:16
Sérgio
“A Maria João Pires escolheu deixar de ser portuguesa… O povo que somos não a merece,”
loira, eu nem comento.
05/07/2009 às 10:27
pilantra
Mas eu lamento que seja preciso deixar de ser portuguesa.
Não pelo problema da «nacionalidade», mas pelo facto de não se poder viver aqui como em qualquer outro lugar.
05/07/2009 às 19:00
Esteva
pardo, ainda bem, que íamos zangar-nos
Pilantra, pois é isso que é de lamentar, e parece que não se pode. Pensemos no Sena (zangadíssimo com este país) e no Saramago, por exemplo. Na Vieira da Silva, na Paula Rego e em muitos outros. O que me descansa é que, apesar da pequenez, a grandeza tem florido ao longo do tempo.
06/07/2009 às 22:29
pilantra
Eu ando acabrunhada só com a ideia do trio cavaco-manuela-santana.
Só me apetece fugir!
06/07/2009 às 23:51
Esteva
Então, então, haja esperança! Que isso não nos pode ninguém tirar. Eu digo que o PS, perdendo as eleições, compreenderá que só vai ao governo se se aliar à esquerda. Essa é a minha aposta. Por outro lado, se o meu desejo-delírio não se concretizar, o psd também não ganha com maioria absoluta, pelo que tem de andar com calminha. O problema só é sério se a maioria for absoluta, lá está. Mas desse mal não penso que vamos sofrer. Esperança e firmeza no voto!
07/07/2009 às 22:50
pilantra
Com a esperança e a firmeza não há problema.
O problema é que já há coligação PSD-CDS e não é só para Lisboa.
E o «rapazinho» Melo é muito ao gosto da lavoura, das santas senhoras e outras apaniguadas.
E ainda não entendi se a disputa com o governador foi moralizante se espantosa para exibir o menino – isto sem beliscar, sequer, as intenções do João Semedo e do Onofre. E sem duvidar da dormideira que deu na sumidade reguladora.
O que é certo é que aquela comissão veio mesmo a calhar para firmar a visibilidade do Melo. E, pior ainda, ele agarrou-a com unhas e dentes – e o Paulo Portas ajudou-o claradamente, deixando-o ser duque, principe e rei. E o Paulo Portas é tudo menos parvo.
É por isso que estou preocupada. E se há pessoa que afinal não tem faro apurado para estas circunstâncias é o Sócrates que além de não ter acreditado no desastre europeu que aí vinha, continua com os mesmos tiques, a mesma surdez, etc.. e continua a namorar à direita sem perceber que há toda uma clientela no outro lado à espera de melhorar de emprego.
Coisa ruim.
08/07/2009 às 08:36
Esteva
Tenho os mesmos receios, mas eu estou que o Cds e o Psd não hão-de, juntos, ter votos suficientes para se governarem. É apenas uma questão de fé, eu sei, mas eu não acredito nisso. Seja como for, eu vou às eleições com a mesma intenção do costume: ganhe quem ganhar, seja qual for o cenário apocalíptico que nos pintarem, não voto nem ps nem psd, que o meu voto não é desse reino. Mas, claro, preocupa-me o cenário que a Pilantra pinta…
08/07/2009 às 09:52
pilantra
Pois não votamos, claro. Isso são favas contadas.
Eu só não quero que o ps venha por aí a baixo.
De momento estou num «país completamente ps» e o Sócrates não imagina o que o detestam.
08/07/2009 às 10:12
Esteva
Aí, discordo
Ao Sócrates, imaginação não lhe falta. Veja só alguns dos seus delírios governativos e algumas declarações públicas! E lembre-se que ele estava já a vestir uma nova pele, de lobo manselinho, quando o outro lhe pôs os cornos. Claro que agora o Sócrates deve estar um bocadisquito abananado e sem saber o que fazer para a sopa. Tem pouco tempo para convencer as gentes de que afinal até podia ter governado bem, se se tivesse lembrado disso, mas ele há-de contra-atacar, talvez depois das férias, quando estiver mais recompostinho das ideias.