Fabulosa descoberta de última hora, botem o VOLUM E NO MÁXIMO!
Toda tragédia só me importa
Quando bate em minha porta
Porque é mais fácil condenar
Quem já cumpre pena de vida
Vénia, Pilantra!
Nada melhor do que ouvir Tom Zé antes de dormir!
Em Ferrel lá p´ra Peniche
vão fazer uma central
que para alguns é nuclear
mas para muitos é mortal
os peixes hão-de vir à mão
um doente outro sem vida
não tem vida o pescador
morre o sável e o salmão
isto é civilização
assim falou um senhor
tem cuidado
Fausto Bordalo Dias
Cá dentro inqueitação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Mas sei
É que não sei ainda
Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer
Qualquer coisa que eu devia resolver
Porquê, não sei
Mas sei
Que essa coisa é que é linda!
Lá fui eu à missa. Foi muito linda. O altar estava muito bem enfeitado, os sacerdotes inspirados e os cânticos, ai, os cânticos!, elevaram-me a alma ao céu e ajudaram-me a imaginar o paraíso outra vez! Não chorei, Pilantra, porque a esta religião não é dessas, é de saltar e dançar e tapar a vista a quem estiver atrás de mim a ouvir o relato do belenenses-qualquer coisa (não minto!).
Só no recesso do lar é que me pus a pensar em coisas sérias: muitas daquelas músicas têm 40 anos e apetece perguntar porque é que ainda têm de fazer sentido?
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
construir as cidades pr’ós outros
carregar pedras, desperdiçar
muita força pra pouco dinheiro
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
Muita força pra pouco dinheiro
Que força é essa
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo [bis]
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo
Não me digas que não me compr’endes
quando os dias se tornam azedos
não me digas que nunca sentiste
uma força a crescer-te nos dedos
e uma raiva a nascer-te nos dentes
Não me digas que não me compr’endes
(Que força…)
(Vi-te a trabalhar…)
Que força é essa
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo?
Sérgio Godinho
“A União Europeia é uma das regiões mais prósperas do mundo e, no entanto, a pobreza continua a ser uma realidade diária para quase oitenta milhões de pessoas.” isto dito no Público de ontem pela jornalista Andreia Sanches (que espero não seja precária).
Ora, cara Andreia, discordo de si. Para mim uma sociedade com 80 milhões de pobres, isto é, oitenta milhões de pessoas exactamente iguais a si e a mim, oitenta milhões de andreias e marias que não têm as suas necessidades básicas supridas, não pode nunca ser considerada próspera. Eu diria mais: é uma sociedade bem fracassada. Conseguiu organizar-se para que a maioria dos seus cidadãos tenha cinco vezes mais do que precisa e não é capaz de garantir uma coisa bem mais simples: que todos tenham o essencial. Compreendo a pobreza num país em que todos, ou quase, são pobres, não a compreendo nem a aceito quando há dinheiro a jorros. Acredito que o primeiro dever de uma sociedade e dos seus governantes é cuidar bem de todos os seus membros e quando isto não é possível, como se vê nas nossas magníficas sociedades desenvolvidas, então a sociedade está a falhar.
Depois das batatas, os cogumelos! Durante 75 dias, sem sujar nadinha de nada, por apenas €15. Onde? Como? Ver no Cantinho das Aromáticas e no vídeo abaixo, onde o Luís Alves explica tudo.
Será que todos os edifícios/espaços bonitos do Porto têm como destino a ruína? O blogue A Cidade Deprimente mostra-nos os últimos dias deste cinema que, mesmo em ruínas, continua a ser belíssimo. Pelos vistos, já é demasiado tarde para o salvar. Que se fez por este edifício durante 17 anos? Que fez a Cãmara? Que fez o Rio para conservar o belo Porto medieval e novecentista? Teremos de estar eternamente de vigília ou de nos prender às grades dos belos edifícios do Porto, como no Coliseu, para obrigar os eleitos pelo povo a proteger a cidade que é nossa?
… e eu já sei porquê: quem mo explicou foi o melhor jornal que eu conheço, o Le Monde Diplomatique – edição portuguesa. O artigo em questão: “Vamos brincar aos jornais”, de João Pacheco, dos Precários Inflexíveis.
Eu, que passo a vida a insultar do piorio os jornalistas por achar que são todos pagos a peso de ouro e que, por isso, escolhem estar a soldo do dono, percebi (com este cérebro que as chamas hão-de comer) que “não é preciso corrupção nem censura quando os jornalistas trabalham sem direitos (…) basta confiar na auto-censura. É ridículo falarmos em liberdade de imprensa quando cada vez mais jornalistas vivem e trabalham (…) sob sequestro laboral. E sem liberdade de imprensa, que tipo de democracia poderíamos ter?”
A não perder, na página 4 do Le Monde Diplomatique de Outubro, por €4 – coisa pouca, quando comparada com a porcaria que podemos ler/ver/ouvir na maioria dos jornais/televisões.
um dos crimes mais bárbaros e despropositados do Estado Novo
Lourosa, 14/10/1964. A GNR , chamada pela Igreja Católica, mata duas mulheres, de 17 e 21 anos, uma delas grávida e armada… da vontade de ir a casa fazer “o comer”, e fere umas poucas. Estas e outras perigosas mulheres estavam a fazer uma vigília para que a hierarquia religiosa não lhes roubasse o padre novo que, não sendo do “reviralho”, não levava dinheiro aos paroquianos que pouco tinham. Muitas delas usaram outras armas (guarda-chuvas) para ameaçar a dita hierarquia. Disto não se falou, evidentemente, no tempo do botas e, inexplicavelemente, nada se disse depois dos cravos. Hoje em dia, os que têm memória, preferem também não falar do assunto. Que estranha gente, a nossa.
Oito canções do novo álbum (Glitter and Doom Live) aqui.
Afinal o povo às vezes surpreende: a Fátima e o Avelino não foram eleitos! Menos mal.
Por outro lado, no Cabeço Santo, na luta contra a eucaliptização, o voluntariado fica-se pelo mesmo número: dois + o responsável pelo projecto. Podia ser pior.




