Camões e a tença

 

Irás ao Paço. Irás pedir que a tença

Seja paga na data combinada

Este país te mata lentamente

País que tu chamaste e não responde

País que tu nomeias e não nasce

 

Em tua perdição se conjuraram

Calúnias desamor inveja ardente

E sempre os inimigos sobejaram

A quem ousou seu ser inteiramente

 

E aqueles que invocaste não te viram

Porque estavam curvados e dobrados

Pela paciência cuja mão de cinza

Tinha apagado os olhos no seu rosto

 

Irás ao Paço irás pacientemente

Pois não te pedem canto mas paciência

 

Este país te mata lentamente

 Sophia de Mello Breyner Andresen

 

A Maria João Pires escolheu deixar de ser portuguesa. Compreendo-a. O povo que somos não a merece, tal como não merece muitos outros (quase todos) que não tiveram outra opção.  Na verdade, temos sorte, há gente demasiado grande em Portugal, apesar de Portugal.

E se, para aquecer e arrefecer a nossa casa, não tivéssemos de fazer nada a não ser pensar muito bem antes de a construir? Se não precisássemos de aquecimento central ou de ar condicionado? Se não fossem necessários aquecedores nem ventoinhas? Parece um sonho, mas pelos vistos já é realidade. Agora é só esperar que a ideia chegue depressa a Portugal. Mais informação AQUI.

 

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(Via Bioterra.)

Um programa de rádio viciante e inebriante, dedicado às ditas músicas do mundo. Alguns programs (dos últimos) ainda são audíveis online. Só é pena não se poder descarregar e guardar para ouvir mais tarde. Horário: de 3ª a sábado, depois da meia-noite. A não perder, mesmo!

No meu micro-laguinho, vivem cinco peixes desde o início de Abril. Uma carpa Karpov (nome de batismo), um shuibunkin (ou coisa parecida, nome de espécie), dois (Dupont & Dupond)daqueles cor-de-laranja  que há por todo o lado e um multicolorido (Leopoldo Choné, de sua graça) cuja espécie ignoro de todo. 

Há poucas semanas descobrimos, um pouco aflitos, aquilo que nos pareciam milhares de filhotes de peixes (alevinos ou alevins é o nome científico, descobri depois). O que vale é que rapidamente o número foi diminuindo, por causas naturais suponho. Agora temos muito poucos alevins, mas há um mistério: de quem é que eles são filhos?? Há alevins de dois tipos: uns mais escurinhos e outros mais coloridos. Seja como for, nenhum é parecido, nem remotamente, com o único par de peixes da mesma espécie que temos (os cor-de-laranja). Se isto não é estranho, não sei o que será…

A Bíblia é  um livro muito perigoso nas mãos de certas pessoas, tal como a história o prova até à náusea.

Vénia à Pilantra, por me ter enviado este vídeo.

se tiver sorte, há-de aparecer nos livros de história assim:  Salgueiro Maia foi um dos mais destemidos e ilustres capitães de Abril, tendo tido uma relevante e excepcional responsabilidade no bom curso do golpe de 1974.

Uma pequena curisosidade: quinze anos depois do golpe, um primeiro-ministro (um tal Cavaco Silva) recusou conceder-lhe uma pensão por serviços excepcionais e relevantes à pátria, ao mesmo tempo que concedia a mesma pensão a dois excepcionais colaboradores pidescos do regime fascista.

Cristina Fernandes, 36 anos, é uma shopaholic confessa – adora moda e adora compras. Esta médica, mãe de dois filhos, sempre impecavelamente vestida com as últimas tendências, descobriu há uns meses o “fabuloso mundo” das lojas chinesas. “Entro lá dentro e só uma ideia me move: encontrar a melhor pechincha. Adoro descobrir peças baratas com corte dos melhores designers”, confidencia. “Ecologia? Sustentabilidade social? lembro-me lá disso… Se posso comprar barato e ter mais uma peça gira no armário, quero lá saber dos chineses ou da poluição nos rios!”  ´

Não fui eu que inventei, está no Expresso de sábado passado. Sem comentários.

Sei que a tentação de virar as costas a esta choldra é fortíssima, mas isso seria entregar aos outros o poder de decidir por mim, e isso não faço.

Sou contra a abstenção, quanto mais não seja pelas habituais profundas interpretações meteorológicas que dela fazem: ah, está sol, as pessoas foram para a praia. Se estiver a chover: ah, as pessoas tiveram medo da chuva, como se a chuva ou sol alguma vez pudessem impedir tanta gente de votar. Não havia sol nem chuva nos primeiros actos eleitorais pós-25/04/74? Se calhar as pessoas tinham guarda-chuva e não tinham fato de banho… Políticos e jornalistas querem atirar-se areia para os olhos, é o que é.

Nas eleições europeias a Europa toda vai para a praia ou tem medo da chuva e ninguém quer saber. Na campanha eleitoral falou-se de UE para dizer que se vai pagar a crise com os carcanhóis que de lá vêm, ou que se perde soberania ou que é bom ter um tuga no cadeirão do poder ou que os deputados ganham x e deviam ganhar y. Mas pouco ou nada foi dito  sobre a da posição dos candidatos perante as políticas que são emanadas da Comissão Europeia. Não ouvi nehum dizer qual o sentido do seu voto quando estiverem alapados no Parlamento Europeu e se falar de transgénicos, de aquecimento global, de emprego, das soluções europeias para a crise, de segurança social, da posição da Europa perante o conflito israelo-pelstiniano, do Tratado de Lisboa, … Claro que posso ter estado distraída, mas ouvi muitos tempos de antena e li públicos e expressos. Se eu acho que se falou pouco de pouca, imagino o que acharão aqueles que se recusam a votar.

Por outro lado, tenho comigo que esta gentinha fica toda contente quando ficamos em casa, é que quem fica em casa está descontente, é imprevisível, sabe-se lá em quem iria votar. Na, tá quedo, é melhor assim.  Imagina que os descontentes resolviam mostrar o seu descontentamento através do voto. Ui, ai. Aí as eleições passariam a ser um jogo de roleta russa, o que poderia acontecer ao PPE e ao PSE? Sei lá, podia ser a fim do mundo em cuecas.

Uma maneira de combater a abstenção seria falar mesmo das coisas que estão em jogo nestas eleições, mas responda-se à questão a quem interessa a abstenção e percebe-se porque combater a abstenção não é uma prioridade.

Parece-me que os nossos políticos estão a bater no fundo, com esta história do Provedor de Justiça.

Já não bastavam os escândalos de corrupção  que têm rebentado uns em cima dos outros nos últimos tempos (Freeport, BPN, Cova da Beira, fora o resto) e que envolvem nomes associados ao poder político, fazendo-nos achar que a democracia serve apenas afinal para permitir a um bando de manhosos sem escrúpulos e sem vergonha agirem de forma imoral em nome do povo contra o bem comum.

Que não serão todos más reses, pensamos, e lá vamos indo votar, com a esperança na ponta da esferográfica. Mas esta história do Provedor… faz pensar. O que raio estará em jogo aqui ? Se os nossos deputados não confiam uns nos outros para se entenderem sobre este tão singelo assunto, poderemos nós confiar neles no momento do voto? Esta questiúncula só serve para vermos, claramente visto, que os interesses que os movem não são os dos cidadãos em nome dos quais governam mas antes os seus próprios obscuros interesses.

Não será, portanto, de surpreender que a abstenção aumente cada vez mais como sinal da nossa falta de confiança nos candidatos a deputados. De surpreender será que esses senhores (e algumas, poucas, senhoras) se estejam despudoradamente nas tintas para o que nós pensamos deles.

Apesar disso, o voto continua a ser a nossa única arma e é nosso dever usá-la de modo certeiro.

Porque “a igualdade nada retira a ninguém, mas antes alarga os mesmos direitos a mais pessoas, acrescentando dignidade, respeito, reconhecimento e liberdade” , deve assinar-se  seguinte abaixo-assinado:

http://www.petitiononline.com/mpi/petition.html

Eu, que não me quero casar mas que o posso fazer se o quiser, já assinei.

que se receba o João Salaviza em ombros, que se volte a pôr uma bandeira portuguesa em cada espelho retrovisor, que ninguém durma até João Salaviza aterrar em Figo Maduro (por haver milhares de pessoas na Portela).

Menos do que isto e passo a considerar oficialmente que não merecemos a sorte de haver por cá tanta gente talentosa.

Já não há muitas mais desculpas: o projecto Cicloficina arranja-nos GRATUITAMENTE aquela bicla que temos encostada e que tantas saudosas alegrias já nos deu. Também nos ensina a perceber a mecânica da coisa para a podermos arranjar sozinhos. Depois é só pedalar Clérigos acima (ai, ai) ou Mouzinho da Silveira abaixo, consoante as pernas permitam. É na próxima 5ª-feira, no Porto.

Cicloficina no Porto

No dia 21 de Junho volta a Lisboa. Mais sobre este projecto AQUI. Com um bocado de sorte, um dia destes a ideia chega a Aveiro :) !

Vídeo descoberto no Cantinho das Aromáticas, sítio físico e virtual altamente recomendável para os curiosos da agricultura biológica.

Parece-me que quem decide estas coisas do IVA (e não só estas, mas isso são outros quinhentos) não está interessado de facto em saber o que é de primeira necessidade nem procura deste modo estimular consumos saudáveis que não pesem depois no sistema nacional de saúde.

5% ou lista de bens de primeira necessidade:

Fruta, hortaliça, leite, ovos, iogurtes, queijo, pescada, refrigerantes com gás, paté de vegetais, ruffles.

12% ou lista de coisas não tão importantes assim:

Vinho, café, presunto, chouriço.

20% ou lista de coisas dispensáveis que só compramos porque não temos que fazer ao dinheiro:

Cereais integrais sem acúcar, comida para gato, uísqui, champô, pasta de dentes, limpa-móveis, miolo de camarão.

Que faz a pescada na primeira e o camarão na última? Que fazem os refrigerantes, o paté e as batatas fritas na primeira lista? Porque é que os enchidos estão na segunda e o queijo na primeira? Porque é que os iogurtes potencialmente cheios de corantes, conservantes e açúcares estão na primeira e os cereais integrais-tipo-comida-de-coelho-como-diz-o-guloso-cá-de-casa estão na última? Que faz a pasta dos dentes na mesma lista do limpa-móveis?